De vez em quando eu encontro algumas sensações
incríveis em umas coisas bem bobinhas. Nem sempre são sensações boas ou ruins.
Só sensações.
Já repararam como, quando se está com muita vontade de ir ao banheiro, entrar
nele e fechar a porta aumenta a vontade em dez vezes? Tente começar a
desabotoar a calça então... Ou aquela sensação maravilhosa de acordar em uma
manhã gripado e assoar o nariz. Criatura, você puxa o ar pelo nariz com tanto
gosto que é como se fosse a melhor coisa do mundo. Então você volta pra sua
vida e esquece daquilo. E sabe quando está uma noite muito fria e você
finalmente decide entrar debaixo das cobertas e dormir, mas aquelas cobertas
parecem muito geladas? Cara, eu adoro isso. Me encolher embaixo das cobertas
geladas e prestar atenção em como elas ficam quentes como mágica em alguns
segundos.
Você já quebrou algum osso? Eu
já. Oito vezes. Os braços. Não é legal. Mas a sensação de tirar o gesso depois
de dois meses preso lá dentro é incrível. Você sente seu braço leve, ele parece
querer subir sozinho. E mexer o pulso, cara, como eu não dava valor pra mexer o
pulso antes? Claro que no dia seguinte o seu pulso já é o mesmo de sempre e
você não liga pro fato de que ele está se mexendo. Mas na hora...
Com certeza uma das melhores sensações que eu já
encontrei é a de terminar um livro (conto, crônica, tanto faz... Pode até ser
uma tirinha.) que seja muito, muito bom. Aquela vontade de fechar o livro,
olhar pra frente com um meio sorriso estranho e dizer “Puta que pariu, eu amei
essa coisa”. Funciona também com frases no meio do livro. Você fica tão
indignado com o jeito que aquela frase mexeu contigo que fecha o livro mantendo
seu dedo marcando a página, olha pros lados e fica com vontade de ter alguém
lendo ao mesmo tempo que você pra ficarem indignados juntos. É nessa hora que
você costuma procurar seu irmão, mãe, primo, cachorro, espelho (É, espelho) pra
falar em como “aquela história é incrível, quer ouvir? É assim...” e começa a
falar sobre o que aconteceu, até que uma hora a pessoa se irrita um pouco e diz
que não quer ouvir. Meu irmão já diz que “não quero saber” no momento em que eu
chamo ele com um livro nas mãos. Eu os entendo, na vez em que eu falei com o
espelho, perdi a vontade de falar logo no começo. Acho que eu mesmo não queria
me ouvir.
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