domingo, 21 de julho de 2013

Resenha: Um Dia - David Nicholls




Nota: 9,0

Um Dia é o tipo de livro que mexe com sua cabeça.
Eu levei um bom tempo para terminá-lo, acho que pela falta de qualquer post aqui no últimos dias isso ficou óbvio. As primeiras cem páginas, apesar de boas, não me davam vontade de continuar a leitura. Por pouco eu não o abandonei. Mas depois da página cem, precisei apenas de três noites para ler o resto.

15 de Julho de 1988. Emma Morley tem vinte e dois anos e acaba de se formar. Ela está no apartamento que divide com uma colega, e ao seu lado, Dexter Mayhew conversa com ela sobre o futuro.
Emma é inteligente, um pouco tímida e lhe falta autoconfiança. Ela quer mudar o mundo. Ela quer ser escritora. Ela quer trabalhar com teatro. Ela não sabe bem o que ela quer. Ela é uma jovem recém formada no final dos anos oitenta e ela tem um pouco de medo do futuro.

Dexter tem um ano a mais, é confiante, mulherengo, rico e adora suas farras. Só quer saber de curtir sua juventude e, eu tenho que dizer, Dexter, no começo do livro, é um homem superficial e que "consegue ser detestável". Mas calma. Melhora.

Cada capítulo mostra um dia. O dia 15 de Julho dos anos seguintes ao dia 15 de Julho de 1988, e nos narra a bela amizade de Em e Dex, mostrando para nós como as pessoas mudam em vinte anos, como duas vidas se transformam com o passar do tempo.
Você é linda, sua velha rabugenta, e se eu pudesse te dar só um presente para o resto da sua vida seria este. Confiança. Seria o presente da Confiança. Ou isso ou uma vela perfumada.


Se me perguntassem o que mais me impressionou no livro, eu diria que foi a realidade. A vida real provavelmente é assim. Em vários pontos da leitura eu cheguei a pensar "O que será que Em e Dex estariam fazendo agora?", pra depois lembrar que aquilo é só ficção, porque aquilo de fato não parece algo criado, inventado. Parece real. Afinal, a vida de quem é uma sucessão de aventuras? Ninguém de verdade, eu imagino, é como o Ash Ketchum que enfrenta a equipe Rocket em todo episódio. A maioria dos dias não tem grandes acontecimentos. Na maioria das vezes leva tempo - às vezes vinte anos - pra uma história boa se passar na vida real.

Depois de terminar a leitura, eu fui atrás de algumas outras resenhas, e notei que muita gente não gostou do final. E eu compartilharia essa opinião, não fossem as quarenta e sete páginas finais. Elas transformaram um final que eu acharia bastante regular, em algo incrível. Algo magnífico. Real.

Um Dia é um livro lindo. Te deixa angustiado e te faz rir. Não conseguiu me deixar perto das lágrimas, mas não precisou disso pra ser bom. É engraçado. Tem um humor irônico e que toca você. Recomendo, se você estiver disposto a enfrentar as cem primeiras páginas.
E que obsessão é essa com o tamanho das mãos, aquelas mãozinhas com aqueles dedinhos, como se isso não fosse uma coisa normal. 'Olha só que mãos enormes tem esse bebê!' Isso, sim, valeria uma conversa.

Páginas: 410
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-045-8


Bônus:

A consideração do meu gato pela minha leitura:


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