sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Resenha: Azul é a cor mais quente - Julie Maroh

E enquanto eu me empenhava pra ler "O Chamado do Cuco", não vi problema em começar uma HQ. Li em pouco mais de uma hora, é realmente bem rápido.


Primeiro, eu gostaria de comentar algo que a pessoa que me emprestou o livro me disse. Eu ainda não vi o filme, mas parece que ele ficou muito sexualizado. Realmente, cheio de foco no sexo. Tenho que assistir pra ter certeza, mas o livro não é assim.

Clémentine tinha 15 anos. Ela era uma adolescente francesa, passando pelo que adolescentes passam, se descobrindo. Foi nessa época em que ela cruzou na rua com uma garota de cabelos azuis que definitivamente chamou sua atenção. Acontece que Emma, a tal garota, também se interessou por Clémentine. Emma era homossexual. Clémentine... Clémentine não sabia. Clémentine ainda estava por se descobrir. E o que temos é um romance entre duas garotas na década de 90, na frança.



A história é tristemente linda, eu, pessoalmente, achei o traço encantador. Clémentine é carismática, faz a gente gostar dela e por tabela, de Emma também. A HQ é em preto-e-branco, as únicas cores que aparecem além destas são as que estão no cabelo de Emma, que troca de cor no decorrer da história.
Eu encontrei dois focos na HQ, que na verdade se condensam em um só.
O primeiro deles a aparecer é o problema que o preconceito causa nas pessoas. A vida de homossexuais na década de noventa (e por que não dizer, até hoje?) era (é) muito complicada, encontrando diversos problemas contra os quais Emma estava sempre lutando em paradas gays e protestos.
A segunda mensagem que tirei da história é a que acredito ser a principal e mais importante.
Algum tempo atrás eu notei que as pessoas tendem ao extremismo. Quem apoia mais a direita, tende a repudiar a esquerda, existem homossexuais que dizem que não existe o "bissexual", e, acreditem, já vi sobre gays que chegam a não gostar de héteros, simples assim.
A mensagem que eu encontrei na HQ foi de que o amor não conhece esse tipo de fronteira. Não existe alguém completamente gay e nem completamente hétero. Existe a tendência a ir para um lado ou outro, mas o importante é que você não se apaixona pelo que alguém tem entre as pernas. Você se apaixona pela pela pessoa. Se na maioria das vezes (ou todas elas) ela é de um sexo específico, é porque você encontrou a sua tendência. Só isso.

"Azul é a cor mais quente" é uma história marcante, com uma mensagem que deveria ser óbvia, e que apesar ser triste, me fez sorrir no final.

Páginas: 158
Editora: Martins Fontes
ISBN: 9788580631258

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