Essa, provavelmente, é a maior resenha aqui do blog.
Eu demorei pra ler esse livro. E como demorei. Eu comecei a ler "O Chamado do Cuco" no início de Janeiro, e terminei hoje, perto do final de Fevereiro. Eu não costumo levar mais de um mês com livro algum. Duas semanas é muito. O livro é bom. Mas como é chato.
Vamos primeiro ao que me levou a ler. Robert Galbraith não existe. O nome é um pseudônimo de J.K. Rowling, famosa autora da série Harry Potter. Harry Potter marcou bastante o início de minha adolescência, então eu quis saber mais sobre o livro. A sinopse me interessou bastante - não comprei o livro só por causa da autora -. Comprei o livro - capa dura, no plástico, lindo - e depois de ter abandonado "O Colecionador de Sons", comecei a leitura. No início, eu não sentia vontade de ler o próximo capítulo. O capítulo onde eu estava era muito legal, mas simplesmente não prendia.
É um livro de 447 páginas. Quando eu leio um livro que parece ser chato, eu costumo me forçar a ler ao menos 150 páginas antes de soltar. Eu larguei pouquíssimos livros na vida por conta disso, já que eles costumavam melhorar. Quando cheguei na página 150 de "O Chamado do Cuco", ao contrário do que costuma acontecer, ele deixou de ser o que foi no início. Ao invés de um livro legal mas que não consegue prender ele ficou chato. Irritantemente chato. Mas eu me forcei mais. "Vamos até a 200 ao menos, não largue o livro". E eu fui. E até a duzentos ele continuou chato.
Nesse ponto eu já troquei a capa do meu facebook - eu sempre coloco lá o livro que estou lendo - e coloquei "Guerra dos Tronos" na mochila. Eu estava desistindo daquela coisa.
Mas quando fui tirar algum livro da mochila novamente, eu peguei primeiro o Cuco. Antes de trocar, eu pensei comigo que seria o segundo livro abandonado em sequência. Eu não queria fazer isso. Eu havia decidido sacrificar algum tempo de leitura com algo chato, só pra não abandonar dois livros em sequência. Ainda bem que fiz isso.
As cem páginas seguintes continuaram o mesmo porre, mas a partir da página de número 300 o ritmo começou a ficar um pouco melhor. Chegando perto da 320 foi fácil. O livro realmente se tornou bom. Acredito que seja possível fazer uma analogia com o conteúdo, e é agora que eu vou começar a resenha da história do livro.
Lula Landry, supermodelo, uma mulher de beleza incomparável, empolgada, feliz.
Lula Landry, adotada por uma família rica.
Lula Landry, viciada, reabilitada, bipolar.
Lula Landry, morta na calçada em uma noite de neve.
O livro começa com a supermodelo Lula Landry no chão. A polícia conclui que foi suicídio; dado o histórico da garota, ela provavelmente pulou da sacada de seu apartamento. Os paparazzi, as revistas, os jornais; a mídia não fala de outra coisa. Lula Landry está morta.
Alguns meses após a morte dela, John Bristow, irmão adotivo de Lula, vai até o detetive particular Cormoran Strike. Bristow tem certeza de que foi um assassinato e apesar de o chamarem de louco por isso, ele insiste.
Strike pega o caso, e acompanhado de sua nova e muito eficiente secretária, Robin, eles desvendam aos poucos o caso do possível assassinato da modelo.
O livro é incrivelmente chato no meio, mas vejo aí uma analogia (proposital ou não) com uma investigação de verdade. Esperar, procurar, se frustrar, tentar encontrar... Essa parte da investigação deve, de fato, ser chata. Mas a partir da página 300. Ah, que maravilha. O livro é outra coisa. Ao passo em que a investigação vai se desenvolvendo, ela vai te prendendo mais e mais. Se você conseguir desbravar as páginas chatas (das quais você precisa para entender o final, nem pense em pular), não há arrependimentos. O final do livro é delicioso; fazia algum tempo que eu não sentia o soco na cara da surpresa por conta de um único período da frase.
Pensei que talvez o gênero do livro não fosse de meu agrado e por isso foi tão complicado, mas conheci outras pessoas que estavam tendo dificuldades com o livro, e eu sei que gosto de Agatha Christie e Sherlock Holmes, então não acho que seja o gênero. Mas apesar de tudo, eu gostei muito do livro, porque o final... Ah, o final é uma delícia.
Páginas: 447
Editora: Rocco
ISBN: 978-85-325-2874-2

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