domingo, 18 de agosto de 2013

Resenha: Anjo Negro - Nelson Rodrigues

Eu gosto muito de ler peças. Lembro bem de ter adorado ler "O Pagador de Promessas", talvez uns cinco ou seis anos atrás. Mas não é como se eu tivesse lido muitas. E não posso dizer que essas duas tenham qualquer relação.



"Anjo Negro", peça de Nelson Rodrigues, escrita na década de 40, é dividido em três atos, marcados por crueldade, racismo e violência.

Eu devo dizer que foi a primeira vez que, de verdade, li Nelson Rodrigues. Eu conhecia seu estilo, conhecia a história, eu sabia o que acontecia. Mas deixar de me surpreender? Não, não.




Ismael é negro. Odeia a própria cor, deseja ser branco. Veste-se durante toda a peça com um terno branco. Virgínia é branca. O encontro do casal encontro foi brutal. Ismael, a pedido da tia da moça, estupra Virgínia. Durante toda a peça a cama, intocada, fica bagunçada, mesma cena do dia em que a garota implorou para que aquilo não acontecesse.

Ismael e Virgínia estão casados. Eles tiveram três filhos, todos negros, todos mortos. O primeiro ato é o velório do terceiro, sem a presença da mãe, sem a presença de flores.

Nesse cenário, chega Elias. Irmão de Ismael, bonito, cego, branco. Ismael trocou o colírio de Elias, quando criança, por ácido e o deixou cego, por inveja da cor de sua pele. Ele trás a maldição da mãe de Ismael, mulher renegada pelo negro por ela ter lhe passado a cor de sua pele. Elias fica algum tempo na casa e durante uma ausência do negro, Virgínia - trancada na casa há anos, com a intenção de que nunca mais visse o rosto de outro homem -, descobrindo que há outro homem na casa, e branco, paga uma serviçal para que ela permita que ela o veja. A partir do encontro dos dois, a história se desenrola, permeada pelo sexo, a crueldade e a crítica feroz de Nelson Rodrigues. Uma história capaz de deixar alguém horrorizado por sua crueza.
O chamado "Anjo Pornográfico" mostra para os leitores a razão da alcunha.

Páginas: 112
Editora: Nova Fronteira
ISBN: 8520917240

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