quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Resenha: A Menina que Não Sabia Ler - John Harding

Honestamente, a capa e título brasileiros são uma afronta ao conteúdo da obra. Mesmo. A arte é bonita, o título é comercial (tentaram pegar carona no título de A menina que roubava livros, mesmo tendo sido lançado quatro anos depois. Tenho certeza de que venderam muito por causa dessa associação de títulos). Mas o conteúdo? É outro nível. O título original (Florence and Giles) seria muito melhor.




Florence tem 12 anos. O ano é 1891 e ela mora em uma grande mansão chamada Blithe, na Nova Inglaterra. Aos oito, ela nos conta, ela descobriu a grande biblioteca, abandonada há anos, e, com algum esforço, aprendeu sozinha a ler. Seu tio, responsável legal por ela e seu meio-irmão mais novo Giles, não é nada presente na vida deles (Os orfãos nunca o viram) e não permite que Florence aprenda a ler.



A primeira parte do livro é o que eu considero uma longa e tediosa introdução. Tive de me esforçar para não abandonar a leitura. Ela nos conta que Giles é mandado para uma escola, a adorável Florence, em meio a sua "luta" para poder ler sem ser descoberta, conhece um vizinho chamado Theo, que é asmático, e depois de algum tempo, Giles volta da escola, por não ter conseguido se adaptar. Algum tempo depois uma preceptora é mandada pelo tio para ensinar o garoto, mas infelizmente ela morre em um acidente no lago. E assim acaba a parte um, mais de cem páginas introdutórias mas importantes, com vários e vários detalhes.

Edição Especial
Até a página 130 eu definitivamente tinha preguiça de ler. Então, em uma noite, eu li todas as outras. A atmosfera simplesmente muda e te absorve. Você está em Blithe, você quer saber o que acontece, você quer saber quem é a nova preceptora, a misteriosa srta. Taylor.
O tom é sombrio, comparável à Edgar Allan Poe e com óbvias e magníficas inspirações em Shakespeare, nos confunde, mostrando-nos a visão da jovem Florence, imaginativa, séria, com o único desejo de ficar com seu irmão.

Capa Original
Em quase todos os aspectos, é um dos melhores livros que já li. Algumas coisas ficam inexplicadas, e algumas ficam apenas para as suposições do leitor, mas isso é esperado de um texto em primeira pessoa. Encontrei também alguns poucos erros de digitação, provavelmente ocorridos apenas na tradução. E, óbvio, o ultraje da capa e do título nacionais. Não chegam aos pés do conteúdo do livro.

Muitas vezes, à noite, faço a cama apertada e depois entro debaixo das cobertas e deito com os braços rígidos dos lados, como se estivesse dentro do meu caixão. (A Menina que não sabia ler - P. 159)


A história é uma surpresa incrível, e tudo a partir da página 158 (inclusive seu último parágrafo) vale cada minuto quase chato usado na leitura das páginas anteriores.

Recomendo, muito.

Páginas: 282
Editora: LeYa
ISBN: 978-85-62936-11-1

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